Muitos foram os músicos, pintores, designers, poetas e outros artistas da região que participaram na manifestação cultural, que se prolongou até ao início da noite..Um deles foi José Rui Martins, da Associação Cultural e Recreativa de Tondela (ACERT), que leu uma adaptação sua do manifesto Anti-Dantas de Almada Negreiros. ."O Gaspar [ministro das Finanças] saberá gramática, saberá sintaxe, saberá vender gasolina, saberá inglês, saberá tudo, menos dirigir económica e politicamente o país, que é a única coisa que ele quer fazer e nunca fez bem", afirmou..No meio de músicas e poemas, os presentes contavam aos jornalistas as histórias que motivaram a sua presença.."Trabalhava na manutenção de uma empresa, mas estou desempregado quase há um ano", lamentou à agência Lusa Luís Alves, de 25 anos, contando que vai conseguindo ganhar algum dinheiro fazendo pinturas e retratos..Na Rua da Paz, num painel disponível para que cada um deixasse a marca da sua indignação, Luís Alves desenhou um "Zé" moribundo numa cama, a morrer de fome, e um elemento da 'troika' a aconselhar "Dá-lhe menos comida! Eheheheh"..Perto estava José Ribeiro, aposentado do setor privado. O participante disse à Lusa que, desde 15 de setembro, não falta a uma manifestação, por estar indignado sobretudo com as dificuldades que sentem dois filhos seus, professores..Contou que estão colocados longe, têm muitas despesas, nomeadamente com as portagens, e, por isso, todos os meses lhes transfere dinheiro para as suas contas assim que recebe a reforma.."Sempre pensei que fossem viver melhor do que eu, que não tenho curso superior", frisou. .Catarina Vieira deslocou-se à manifestação acompanhada do filho de 18 meses, por ser "professora e mãe" e estar preocupada "porque não é só o futuro que é incerto, é também o presente"..Apesar de considerar que "a cultura é necessária", Catarina Vieira já teve de reduzir na compra de livros, nas idas ao teatro e em outras atividades, mas admitiu que, para o ano, terá de ir mais longe nos cortes, para conseguir manter o seu orçamento familiar.."Se um primeiro-ministro sem cultura incomoda muita gente, um país inteiro sem cultura incomoda muito mais", gritava um casal ao megafone..Pela Rua da Paz circulava o jovem artista plástico Tiago Gandra, acompanhado de uma mala de viagem. Vai em breve ao Brasil, em trabalho.."Vou com intenção de perceber se poderei lá ter futuro, porque aqui as condições são cada vez mais difíceis", afirmou..Manifestações contras as medidas de austeridade, algumas com a presença de artistas, foram convocadas para hoje, em várias cidades do país, através das redes sociais.